Rua dos Cataventos

II

Dorme ruazinha…é tudo escuro…
E os meus passos, quem é que pode ouvi-los?
Dorme o teu sono sossegado e puro,
Com teus lampiões, com teus jardins tranquilos…

Dorme…Não há ladrões, eu te asseguro…
Nem guardas para acaso persegui-los…
Na noite alta, como sobre o muro,
As estrelinhas cantam como grilos…

O vento está dormindo na calçada,
O vento enovelou-se como um cão…
Dorme, ruazinha…Não há nada…

Só os meus passos… Mas tão leves são
Que até parecem, pela madrugada,
Os da minha futura assombração…

Mário Quintana
Rua dos Cataventos e Outros Poemas


One response to “Rua dos Cataventos

  • Zuquetto

    Minha rua está cheia de pregões.
    Parece que estou vendo com os ouvidos:
    “Couves! Abacaxis! Cáquis! Melões!”
    Eu vou sair para o carnaval dos ruídos,

    Mas vem, Anjo da Guarda… Por que pões
    Horrorizado as mãos nem teus ouvidos?
    Anda: escutemos esses palavrões
    Que trocam dois garotos atrevidos!

    Pra que viver assim num outro plano?
    Entremos no bulício quotidiano…
    O ritmo da vida nos convida.

    Vem! Vamos cair na multidão!
    Não é poesia socialista…Não,
    Meu pobre anjo… É… Simplesmente… a Vida!…
    Esconderijos do tempo – Mário Quintana

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