Silêncio por Amy Winehouse

Ontem a pinup com melhor vozerão dos últimos tempos,  Amy Winehouse foi encontrada morta em sua casa, ainda sem uma causa definida. Seu corpo não aguentou o castigo de tantos abusos e entrou em colapso, o que certamente não foi uma surpresa para ninguém.

O que me deixou pensando aqui com meus botões foi que ao saber da notícia, achei que iria encontrar pelos menos um que outro comentários de quanto ela tinha uma ótima voz, como modernizou a soul music, como trouxe de volta o jazz, como tinha talento essa mocinha desmiolada…que nada. Só li comentários que pisavam nas suas fraquezas, alguém disse que era um lixo humano, a desdentada, a junkie, a cantora do “mais do mesmo”, a fabricada pela mídia…e aí vai. Estou com asco desse povinho do contra, cujo único argumento é pisar em quem está por baixo, cansei de vocês.

Se ela reviveu a boa música negra americana, graças a Deus alguém fez isso. Até o momento só vejo “gatinhas” tocando música pop, tentando ser as novas Madonnas modernas, tentando abraçar o povão com letras repetitivas e apelativas. Todos copiam, todos são mercadoria do passado remasterizada, sem excessão. E daí que a menina era pobre, filha de taxista, começou a cantar e se deu bem? Isso não seria sinal de diferencial, talento? E daí que era uma junkie, drogada e doidona. Os grandes da música até hoje não tiveram um histórico muito diferente.

Eu sou daquele tipo de pessoa que não tem ídolos, poucos me cativam a ponto de baixar suas músicas, lembrar dos seus nomes e algum trabalho. Mas no último ano comecei a curtir muito o estilo dela. Curtia suas tatuagens, seu estilo pinup punk. Seu jeito doido, sem parecer fabricado. Uma das minhas melhores amigas é muito fã e passei a acompanhar o alvo desse amor todo. Baixei sua discografia curta e já estava ouvindo regularmente quando consegui ver seu primeiro show no Brasil depois do Rehab no Caribe, no Summer  Soul Festival. Achei sinceramente que ela estava fazendo como todos os outros doidos, passando por um período de recuperação e voltaria a trabalhar por um tempinho até se quebrar de novo. Mas não deu tempo…

Fico triste por sua fraqueza emocional, que a fez mergulhar nas drogas sem trégua, mas nem por isso deixo de respeitar muito seu trabalho e  o que conseguiu fazer nesse curto tempo. Depois do choque de ontem, só resta agradecer por ter podido ver ela de pertinho naquele show inesquecível e e por tudo que nos deixou. Agora só resta esperar que outras Amys surjam por aí, que me façam querem ser fã de alguém de novo.

Aos eternos críticos, pelo menos tenham respeito aos mortos.


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