#FreeTonhoCrocco

Pra quem perdeu a comoção de ontem, uma representação ao Ministério Público, assinada pelo deputado Giovani Cherini (PDT) quando ainda era presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, resultou em processo por crime contra a honra (aham senta lá) para o músico gaúcho Tonho Crocco. O músico fez um rap no qual chamava de “gangue” os 36 deputados que aprovaram aumento de 73% em seus próprios salários, em dezembro do ano passado.

Tonho mandou um manifesto público para seu site, protestando contra a situação (veja aqui) e foi imediatamente replicado por seus fãs e classe artística, que trataram de viralizar. Em poucas horas, diversas manifestações de apoio surgiram de todo lado, desde eventos no Facebook (aqui, aqui, aqui), vídeos-protesto, diversos blogs replicaram o manifesto, “Tonho Crocco” figurou o dia todo nos TTs do Twitter Brasil, pessoas de todos os lugares passaram a `xingar muito` o deputado via email, ligações e Twitter @giovanicherini (eu inclusive) e as rádios ficaram o dia todo divulgando o manifesto no ar e tocando o RAP “Gangue da Matriz” em apoio. A notícia ainda saiu em todos os principais meios de comunicação do estado, como Zero Hora, Correio do Povo, O Sul, NH, entre outros. E pra completar, nossos queridos hackers derrubaram o site da Assembleia em protesto (da-lhe).

Em entrevista à Rádio Guaíba, ao vivo ontem, o músico falou da representação ajuizada pelo deputado Giovani Cherini. “Que pena que ele não gostou. Tem mais de 48 mil pessoas que pensam diferente. Se as pessoas não gostaram da palavra ‘gangue’, paciência. Foi a inspiração que eu tive.” Cherini considera que o título da canção feriu a honra dos parlamentares. “Gangue são criminosos, bandidos, ladrões. É um conluio de pessoas para cometer um crime.”

Tonho Crocco citou o caso da morte de Alex Thomaz, nos anos 80, quando o termo “gangue da Matriz” ficou conhecido. Segundo ele, quem faz arte, música e compõe tem o livre direito de usar expressões como essa. “Claro, não sendo ofensivo, e eu acho que eu não fui. Na letra não tem nenhum palavrão, nenhuma ofensa pessoal”, alega o músico.

O fato de ter citado os nomes dos deputados, segundo o músico, faz parte do protesto e não implicaria em nenhum problema, já que as votações são de conhecimento do público. “O voto não é aberto? As pessoas não sabem quem votou contra e quem votou a favor? Por que não expressar isso também na música? Por que não expressar a insatisfação de um trabalhador que não ganha mais de 5% de aumento? Por que ele não protestar contra alguém que ganha 73% de aumento? Acho que a gente tem um debate, um diálogo de ideologias.”

Resultado, o atual presidente da Assembléia Legislativa ligou para o Tonho ontem dando seu apoio publicamente (pra não ser enforcado publicamente também) e os deputados hoje informaram que vão tentar barrar o processo antes do dia 20. Para o Tonho, por seu enorme carisma, o resultado será somente uma ótima publicidade gratuita. Tenho certeza que depois de tudo isso, ninguém em sã consciência puniria uma personalidade pública, se quiser se reeleger. Pra todos, fica a lição de que podemos ser a geração passiva, que não sai nas ruas pra bater panelas (o que certamente ainda pode acontecer na Assembleia do dia 22, as 15h), mas descobrimos que a internet pode sim ser uma poderosa ferramenta de contestação e protesto, com resultados reais. Botem a boca no trombone quando não estiverem de acordo com algo, chega de impunidade e passividade nesse país. Fica aqui meu manifesto e total apoio ao Tonho!


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